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Breve biografia de VILMAR Sidnei Demamam BERNA

Vilmar Sidnei Demamam Berna é gaúcho, nascido em 11/10/1956, em Porto Alegre (RS) e vive em Jurujuba, Niterói (RJ), em frente à Baía de Guanabara, numa comunidade de pescadores artesanais. Por sua luta constante pela formação da cidadania ambiental planetária foi reconhecido pelas Organizações das Nações Unidas – ONU, em 1999, no Japão, com o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente. Em 2002, recebeu o título de Cidadão Niteroiense e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas, entre outros.

Participou da fundação de várias organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, dedicadas às lutas por um mundo melhor, mais ecológico, pacífico e democrático, entre as quais se destacam a UNIVERDE, em 1980, em São Gonçalo (RJ), os Defensores da Terra, em 1984, na Cidade do Rio de Janeiro, e mais recentemente a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental, com sede em Niterói (RJ), da qual é editor voluntário da Revista do Meio Ambiente e do www.portaldomeioambiente.org.br distribuídos gratuitamente com o objetivo de contribuir na formação de uma nova consciência ambiental e na cidadania ambiental em nossa sociedade.

O autor, por ele mesmo: “A Vida é minha inspiração.”

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e
esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer
da gente é coragem.”
- Guimarães Rosa

Minha inspiração nasce do cotidiano, onde a vida se oferece cheia de vias, atalhos, placas e sinais, que indicam o caminho, mas não caminham por nós, onde precisamos fazer escolhas a cada instante, desde as coisas mais simples sobre que roupa vestir até escolher uma carreira profissional. Neste sentido, minha vida se ofereceu intensa e cheia de oportunidades de aprendizado por que não nascemos prontos, mas nos construímos e aprendemos a amar, a ser feliz, a ser democrático, pacífico, ecológico, à medida que vamos vivendo e aprendendo a fazer escolhas. A vida tem sido a minha escola, o meu laboratório, onde me inspiro e colho os temas e conteúdos que transformo depois em literatura, pintura, fotografia. Sartre disse que “Ao escrever, o escritor deve solicitar um pacto com o leitor, que ele colabore em transformar o mundo, a sua realidade...” Por isso, procuro ser o mais sincero possível quando escrevo, mostrando aos meus leitores que um mundo melhor é possível mas que ele começa em nós, e que os livros, assim como a vida, apenas indicam os caminhos, mas não escolhem por nós, muito menos nos substituem na caminhada.

As primeiras lembranças que tenho de minha infância são por volta dos três anos de idade. Nasci em Porto Alegre (RS), em 11 de outubro de 1956, em uma família muito pobre e que se separou cedo.

Aos quatro anos de idade já estava em Brasília onde meu pai foi trabalhar como ‘candango’ em Brasília, que na época era apenas um enorme canteiro de obra e, como meu pai se cadastrou como solteiro, não podia vir em casa todos os dias, e nos deixava trancados, num barraco, com apenas um saco de pão dormido que ele recolhia das sobras da padaria do refeitório dos candangos. Desde muito cedo vi meu pai sozinho, lutando para nos criar, do seu jeito e com suas condições, que sempre foram muito poucas. Crescemos sem mãe. Meu pai dizia que ela havia morrido e simplesmente não falava sobre o assunto. Assim, apesar da pouca idade, eu já tinha a responsabilidade de cuidar de meus dois irmãos mais novos. Para complementar a dieta só de pão, eu costumava fugir por um basculante e trazia o que conseguia arranjar no comércio e nas raras casas da vizinhança. Meu maior temor eram as boiadas que existiam nas estradas de chão de Brasília, nessa época.

O resultado dessa dieta pobre foi que nós três ficamos muito doentes. Meu pai então nos trouxe para Niterói (RJ) e por um tempo nossa casa foi uma calçada da cidade que ele cobria com um lençol que fixava no muro. Também ficávamos os três sozinhos até que meu pai resolver levar a mim e ao meu irmão para a Casa do Garoto, no bairro do Cubango, em Niterói, onde havia um abrigo do Juizado de Menores. A direção da casa tentou explicar ao meu pai que não eram os pais quem levavam os menores para ali, mas o juiz é quem determinada. Não adiantou. Meu pai simplesmente nos deixou ali e sumiu no mundo.

Como a idade mínima para ingressar na Casa do Garoto era de oito anos, e eu tinha cinco e meu irmão três anos, o casal de zeladores da Casa apiedou-se de nós e resolver ficar conosco, informalmente, até que tivéssemos idade para ingressar oficialmente na Casa do Garoto, o que acabou não acontecendo, pois este casal piedoso deixou de trabalhar no local e nos levou com eles, apesar de pobres e de já terem cinco filhos para criar. Foi a única experiência que eu e meu irmão tivemos de uma família estruturada, e, apesar do poucos anos que vivemos com essa família, foi um tempo fundamental para construirmos nossos valores. O casal Papai João Couto e da Mãe Hogla foram realmente o pai e a mãe que eu e meu irmão não tivemos. Somos profundamente gratos a eles, pela generosidade e espírito de doação e fraternidade.

Meu pai reapareceu quando eu tinha nove anos de idade e acusou o casal que nos abrigou de nos terem roubado dele, e entrou na justiça contra eles para reaver o pátrio poder. Na verdade, meu pai estava interessado só em mim, pois já tinha idade para vender doces para ele nas ruas de Niterói. Assim, acabei indo viver com meu pai numa favela próxima e passei a vender doces no terminal rodoviário de Niterói. Entretanto, sempre que eu podia fugia e voltava para a casa do casal que me abrigou, mas meu pai voltava lá e me resgatava. Até que se mudou para mais longe, Tribobó, ainda assim meu continuava fugindo, até que ele resolver se mudar para o Rio Grande do Sul, na cidade de Alvorada, para evitar que eu fugisse novamente.

Passei a vender sonhos, doces que meu pai fazia com grande maestria, pelas ruas de Alvorada.

 

 

 


Um dia, estávamos os três irmãos em casa, sozinhos, quando apareceu uma mulher baixinha, que mancava de uma perna que tinha mais fina e menor que a outra, assustada com a possibilidade de meu pai estar em casa ou de voltar enquanto ela estivesse ali. Ela disse que era a nossa mãe. Eu tinha treze anos na época e num primeiro momento não acreditei, pois meu pai sempre havia afirmado que a minha mãe era morta. A visita não durou mais que dez minutos e ela desapareceu de novo e nunca mais a vi, e não deixou endereço de contato com medo de meu pai ir atrás dela.

As brigas entre mim e meu pai, que sempre eram freqüentes tornaram-se mais graves depois deste encontro com minha mãe. Ele havia mentido para mim. Passei minha infância inteira tendo de fazer trabalhos escolares para uma mãe imaginária que julgava morta. Algumas professoras, com pena de mim, dizia que receberiam meu trabalho no lugar da mãe que eu não tinha, mas que eu teria de fazer o trabalho de qualquer jeito, não pelo Dia das Mães, mas por que o trabalho valia nota! Quanta insensibilidade com uma criança!

Numa das brigas com o meu pai, ele acabou me levando até a Delegacia de Polícia e me entregou ao Delegado, dizendo que não queria mais saber de mim, que eu era bandido. Acabei recolhido à FEBEM-RS, um presídio para menores, onde vivi muitas histórias. Como já gosta muito de ler, ao contrário de um castigo, gostava de ficar na solitária, pois podia ler em paz sem me sentir ameaçado pelos outros menores, muitos com assassinatos e crimes horríveis praticados. As assistentes sociais passaram a trazer livros para mim que lia intensamente, fazendo anotações que, mais tarde, vieram subsidiar muitos de meus livros.

Por volta dos dezesseis anos, fui transferido para o Novo Lar de Menores, em Viamão (RS) num processo de desligamento do sistema do Juizado de Menores. Neste lugar aprendi o ofício de gráfico, especialmente a de compositor, onde montava livros e outros materiais para impressão e fazia a revisão do material. Um pouco antes de completar dezoito anos, fui transferido para uma Casa Lar, em Porto Alegre e passei a trabalhar como Office-boy no Motel Clube dos Militares. Quanto completei dezoito anos, sem ter onde morar, voltei para Niterói (RJ) e durante um curto período morei na rua, dormindo em carros abandonados, trabalhei como faxineiro, até poder ingressar no quartel do Exército, onde passei a morar.

Na escola onde passei a estudar conheci minha primeira esposa, Sueli, que era professora de Português, com quem fui casado por vinte e três anos e tivemos dois filhos, Leonardo e Gustavo.

Casado pela segunda vez com Inês, vivo em Jurujuba, de frente para a Baía de Guanabara, numa comunidade de pescadores artesanais de baixa renda, na cidade de Niterói (RJ). Recentemente, graças ao Orkut, vim a conhecer meus irmãos e irmãs por parte de mãe e e foi com grande alegria que fizemos o reencontro na comemoração do meu aniversário de 51 anos, na casa de minha irmã, Cléia, em Alvorada (RS).

Além de já ter publicado dezoito livros, tenho me dedicado à formação da cidadania ambiental planetária. Em reconhecimento a este trabalho, de mais de três décadas, recebi em 1999, numa visita ao Japão, das Organizações das Nações Unidas – ONU, o Prêmio Global 500 Para o Meio Ambiente, antes concedido ao Betinho e ao Chico Mendes. Em 2002, recebi o título de Cidadão Niteroiense e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas, entre outros.

Ajudei a fundar diversas organizações ambientalistas como a UNIVERDE, em 1980, em São Gonçalo (RJ); os Defensores da Terra, em 1984, na Cidade do Rio de Janeiro; e a REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental, com sede em Niterói (RJ), da qual sou editor voluntário da Revista do Meio Ambiente e do www.portaldomeioambiente.org.br distribuídos gratuitamente com o objetivo de contribuir na formação de uma nova consciência ambiental e na cidadania ambiental em nossa sociedade.

 

 

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