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Favelização Planejada

Em qualquer cidade do mundo, especialmente nas dos países chamados em desenvolvimento, existem bairros urbanizados e as favelas, estas implantadas contra a vontade dos governos e das leis, sem planejamento, sem saneamento básico, sem infra-estrutura urbana. Alguns governantes preferem tratar do assunto como se fosse simplesmente um caso de polícia, como se desse para ter um guarda atrás de cada árvore. Deveriam desenvolver políticas públicas de urbanismo e uso do solo que contemplassem também aqueles que precisam morar mas estão fora do mercado, isto é, não dispõem de recursos para comprar ou alugar um lugar nos bairros urbanizados. As pessoas não ocupam locais insalubres e sujeitos a deslizamentos, sem infra-estrutura, por maldade ou simples desejo de enfrentar as leis ou afrontar os governantes. Na maioria quase absoluta, fazem isso por que não têm alternativa de comprar ou alugar um lugar melhor para morar.

Claro que o processo de invasão de áreas não-edificantes conta ainda com outros ‘aliados’, como especuladores imobiliários que usam a necessidade dos mais pobres como pano de fundo para ocupar essas áreas. Uma vez consolidada a posse, o especulador compra os direitos do ‘invasor’ e no lugar do casebre humilde constrói uma bela residência que vende em seguida por um bom preço. Também existem políticos e candidatos a cargos eletivos sem escrúpulos que distribuem lotes em áreas não-edificantes como se fôssem suas, em troca de votos, criando um fato social de difícil solução a não ser a legalização da invasão. E, ainda, tem o crime organizado, que cria uma espécie de área de segurança em torno de seus esconderijos e como forma de proteger suas atividades criminosas, promovem a doação de lotes em áreas não-edificantes às comunidades pobres, que se tornam eternamente agradecidas por isso, atuando como ‘olheiros’ para o caso da polícia resolver invadir o lugar.

E assim a sociedade vai perdendo suas áreas de mananciais, florestas, margens de rios e lagos, costões rochosos, etc.

Alguns políticos, urbanistas e planejadores urbanos costumam ignorar o fato que, para cada novo empreendimento de luxo que é construído, surgirá em algum ponto próximo dali uma comunidade pobre 'não planejada', onde vão morar os empregados da construção civil e as empregadas domésticas, porteiros, etc. Ou os urbanistas acham que pessoas que ganham um ou dois salários mínimos vão concordar em perder mais da metade do salário todo mês em transporte para morar longe do local de trabalho?

Assim, as favelas não ocorrem por um acaso. Elas são 'fabricadas' nas pranchetas dos planejadores e administradores públicos e privados, nas leis de políticos, no momento em que dividem as cidades apenas em duas partes: áreas para o mercado e áreas não edificantes, sem prever uma terceira parte, destinada às pessoas que precisam morar, mas estão fora do mercado e precisam de terra de graça, ou a preços simbólicos. Claro, alguns poderão protestar que isso seria um tipo de socialismo e que não tem cabimento dar terra de graça para ninguém. Mas é preciso avaliar o que sai mais barato. Dar terra antes, em locais adequados, ou ter de gastar mais depois para levar infra-estrutura em comunidades de baixa renda instaladas de qualquer jeito em áreas de riscos, insalubres e de difícil acesso, como encostas íngremes, margem de lagoas, áreas de proteção ambiental ou de mananciais ou a montante destes, etc.

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