Vilmar Berna

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Entrevista a Rubens Ribeiro - Revista Futuro

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Mão na massa - Ong do Rio de Janeiro reúne mais de 10 mil pessoas em ações voluntárias de conservação ambiental

Terceiro brasileiro a ser homenageado pela ONU com o Prêmio Global 500 para o Meio Ambiente, em 1999 – os outros dois são Chico Mendes e Betinho – o jornalista, escritor e ambientalista Vilmar Sidnei Demamam Berna é dessas pessoas que vivem 100 por cento de seu tempo escrevendo, conversando, negociando, discutindo e procurando novas idéias sobre um tema: o meio ambiente.

Dos escritos, conversas e discussões nasceram, em janeiro de 1996, a Revista e o Portal do Meio Ambiente, que vem mantendo a média mensal de 200 mil visitas. Das idéias, surgiram ações inovadoras, como o Projeto Voluntários Ambientais, da ONG REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental.

Nessa entrevista, Vilmar conta a origem dessa entidade e fala do papel que ela desempenha, tanto ao contribuir, com a mão na massa, para a reparação de danos ao ecossistema quanto para o desenvolvimento coletivo de uma consciência conservacionista.



1. Como surgiu a idéia de se criar o PROJETO VOLUNTÁRIOS AMBIENTAIS?

Durante o grave acidente com óleo na Baía de Guanabara, em janeiro de 2000, atuamos intensamente indo além da notícia. Mobilizamos mais de 200 voluntários entre os leitores dos veículos que edito e parceiros, principalmente, para ajudar no resgate e recuperação da fauna atingida pelo óleo derramado. Passado o incidente, essas pessoas continuaram procurando novas possibilidades de trabalho voluntário dando origem à Rede Nacional de Voluntários Ambientais. Qualquer um pode participar bastando associar-se a Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

2. Como são mobilizados esses voluntários? São convocados em situações de acidentes ecológicos?

Não. Com tantas pessoas engajadas, e tanto trabalho a ser feito, independentemente da ocorrência de emergências ambientais, não seria adequado manter simplesmente um estado de prontidão. Era necessário que a mobilização e a motivação para o trabalho voluntário se tornassem permanentes, contínuas. Assim, começamos a organizar eventos para “tempos de paz”, ou seja, independentemente da ocorrência de emergências ambientais. Isso vem se fazendo por meio da realização de mutirões ecológicos, geralmente em parceria com outras entidades, para a limpeza e recuperação de ecossistemas.

3. Que resultados o PROJETO VOLUNTÁRIOS AMBIENTAIS já pode contabilizar?

Em julho de 2002, em parceria com os jovens do Projeto Vida Nova, do Rio de Janeiro, os voluntários retiraram cerca de 10 toneladas de lixo flutuante que chega pelas águas da poluída Baía de Guanabara, na praia da Ilha do Fundão. Em dezembro do mesmo ano, foi a vez da Floresta da Tijuca, quando os voluntários ambientais, em parceria com diversas outras ONGs, como o GRUDE, Hyppocampus, PRIMA e com cooperação da administração do Parque Nacional ali localizado, retiraram cerca de 6 toneladas da areia que entupia o lago da Cascatinha. A areia retirada foi destinada à recuperação de trilhas e encostas dentro do próprio Parque. Em de abril de 2003, em parceria com a ONG Onda Verde e com a participação voluntária de calouros e estudantes de Geografia da Universidade Federal Fluminense, que trocaram o trote habitual pelo mutirão ecológico, retiramos inúmeros sacos de lixo que se acumulava no rio e nas piscinas adjacentes à Reserva Biológica do Tinguá, no Rio de Janeiro.

Além disso, contribuímos para a implantaão de Ecoclubes na Rede Municipal de Ensino de Barra Mansa, município de 170 mil habitantes na região leste do Rio de Janeiro, onde já existem 40 desses clubes, que não só discutem temas ligados à preservação ambiental como também realizam ações concretas, como o plantio de mudas para recomposição da mata ciliar na margem esquerda do Rio Barra Mansa.

4. É, portanto, uma iniciativa ligada à Educação Ambiental...

Exatamente. A diferença entre o Projeto dos Voluntários Ambientais e o Clube de Amigos do Planeta – nome desses Ecoclubes – é que o primeiro se propõe a estabelecer um canal permanente para atender à demanda já existente na sociedade para o trabalho voluntário, enquanto o segundo se propõe a motivar e ajudar a organizar os jovens em idade escolar para serem voluntários ambientais. A idéia é fazer de cada escola um clube, e de cada clube uma ação concreta em benefício do meio ambiente adjacente, num trabalho que procura envolver toda a comunidade e contribuir para formar cidadãos críticos e participativos.

5. E quanto à sustentação financeira?

Temos buscado parcerias e patrocínios com empresas cujas políticas de responsabilidade socioambiental prevejam disposição sincera de se envolverem na melhoria concreta do meio ambiente e na conscientização ambiental da sociedade brasileira. Esta participação pode ser localizada – ou seja, desenvolvida nas áreas em que exercem influência, e, além da natural agregação de valor ambiental às suas imagens corporativas, essas empresas dispõem de mecanismos fiscais para deduzir do imposto de renda os investimentos realizados nesses projetos.
 

Business do Bem



Educação Ambiental
Entrevista com Vilmar Berna
(Págs. 32 a 39) –
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