Vilmar Berna

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Problemas Ambientais

Caça Ecológica – Aberração Ética

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O principal argumento usado pelos caçadores, auto-intitulados ecológicos, para matar suas presas é a necessidade de evitar a superpopulação de uma determinada espécie – naturalmente a que vai ser caçada. Trata-se de uma falácia, baseada numa meia verdade, É verdade que há necessidade de se manter o controle das espécies silvestres. A superpopulação provoca falta de alimentos, doenças, desequilíbrios ecológicos ou pode prejudicar não apenas um grupo ou outro de indivíduos, mas todas a espécie. Entretanto não é verdade que a melhor forma de se efetuar esse controle populacional seja através da caça.

O equilíbrio ecológico numa cadeia alimentar acontece naturalmente, primeiro, se houver vegetais, gramínias e plantas em abundância, suficiente para alimentar os seres primários, ou vegetarianos. Estes seres, como cavalos, cervos, coelhos etc., fazem as funções de agricultores e jardineiros, mantendo os vegetais sempre produtivos.

Os seres vegetais, por sua vez, podem aumentar muito de número consumirem toda a vegetação, o que provocaria a morte de todas por falta de alimentos. A natureza, então, estabeleceu seu próprio esquema de controle. Para isso existem os animais carnívoros. Eles mantém as populações de seres vegetarianos sempre num determinado equilíbrio. Exemplo desses carnívoros são a onça, a águia, cobras etc. Uma característica importante desse equilíbrio natural é que o número de indivíduos é proporcional entre si, ou seja, existe muito mais vegetais que animais vegetarianos, e muito mais animais vegetarianos que animais carnívoros, formando um tipo de pirâmide alimentar. Isso quer dizer que, ao avistarmos uma onça num determinado ecossistema, significa que naquele lugar existem muitos animais vegetarianos e muitas plantas. A onça na verdade, não é um ser isolado dentro daquele contexto, mas uma componente de uma estrutura só, formada por plantas, bichos vegetarianos, bichos carnívoros. Quando os fazendeiros queimam as florestas para plantar pastos para o gado, automaticamente destróem as possibilidades de alimentos para a onça. Com fome, este animal invadirá as fazendas.

A forma de se evitar o desequilibro é assegurar a existência de ecossistemas do tamanho necessário para suportar a existência dos animais silvestres. Essa é a primeira providência se alguém quiser mesmo manter os controles populacionais dos animais naturais de uma determinada região onde esteja havendo superpopulação.

Felizmente, ainda há tempo. Os caçadores podem constitui-se em aliados importantes, caso pretendam mesmo auxiliar no controle das superpopulações e contribuir na recuperação do equilíbrio ecológico. Em vez de armas de fogo, deveriam usar máquinas fotográficas, elaborar mapas minuciosas sobre a ocorrência e número de animais, a fim de se estabelecer um plano de manejo do ecossistema. Do ponto de vista esportivo, vencedor seria aquele que conseguisse identificar a melhor presa, fotografá-la, mapear sua posição fazer um diagnóstico das condições de sobrevivência e situação do seu ecossistema, sem tocar na presa, e sem ser notado por ela. E mais. Depois de tomada as medidas de manejo e reequilíbrio natural, voltar, o mesmo local e fotografar novamente a presa. De campeões da morte, estas pessoas se tornariam campeões da vida.

 

Favelização Planejada

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Em qualquer cidade do mundo, especialmente nas dos países chamados em desenvolvimento, existem bairros urbanizados e as favelas, estas implantadas contra a vontade dos governos e das leis, sem planejamento, sem saneamento básico, sem infra-estrutura urbana. Alguns governantes preferem tratar do assunto como se fosse simplesmente um caso de polícia, como se desse para ter um guarda atrás de cada árvore. Deveriam desenvolver políticas públicas de urbanismo e uso do solo que contemplassem também aqueles que precisam morar mas estão fora do mercado, isto é, não dispõem de recursos para comprar ou alugar um lugar nos bairros urbanizados. As pessoas não ocupam locais insalubres e sujeitos a deslizamentos, sem infra-estrutura, por maldade ou simples desejo de enfrentar as leis ou afrontar os governantes. Na maioria quase absoluta, fazem isso por que não têm alternativa de comprar ou alugar um lugar melhor para morar.

Claro que o processo de invasão de áreas não-edificantes conta ainda com outros ‘aliados’, como especuladores imobiliários que usam a necessidade dos mais pobres como pano de fundo para ocupar essas áreas. Uma vez consolidada a posse, o especulador compra os direitos do ‘invasor’ e no lugar do casebre humilde constrói uma bela residência que vende em seguida por um bom preço. Também existem políticos e candidatos a cargos eletivos sem escrúpulos que distribuem lotes em áreas não-edificantes como se fôssem suas, em troca de votos, criando um fato social de difícil solução a não ser a legalização da invasão. E, ainda, tem o crime organizado, que cria uma espécie de área de segurança em torno de seus esconderijos e como forma de proteger suas atividades criminosas, promovem a doação de lotes em áreas não-edificantes às comunidades pobres, que se tornam eternamente agradecidas por isso, atuando como ‘olheiros’ para o caso da polícia resolver invadir o lugar.

E assim a sociedade vai perdendo suas áreas de mananciais, florestas, margens de rios e lagos, costões rochosos, etc.

Alguns políticos, urbanistas e planejadores urbanos costumam ignorar o fato que, para cada novo empreendimento de luxo que é construído, surgirá em algum ponto próximo dali uma comunidade pobre 'não planejada', onde vão morar os empregados da construção civil e as empregadas domésticas, porteiros, etc. Ou os urbanistas acham que pessoas que ganham um ou dois salários mínimos vão concordar em perder mais da metade do salário todo mês em transporte para morar longe do local de trabalho?

Assim, as favelas não ocorrem por um acaso. Elas são 'fabricadas' nas pranchetas dos planejadores e administradores públicos e privados, nas leis de políticos, no momento em que dividem as cidades apenas em duas partes: áreas para o mercado e áreas não edificantes, sem prever uma terceira parte, destinada às pessoas que precisam morar, mas estão fora do mercado e precisam de terra de graça, ou a preços simbólicos. Claro, alguns poderão protestar que isso seria um tipo de socialismo e que não tem cabimento dar terra de graça para ninguém. Mas é preciso avaliar o que sai mais barato. Dar terra antes, em locais adequados, ou ter de gastar mais depois para levar infra-estrutura em comunidades de baixa renda instaladas de qualquer jeito em áreas de riscos, insalubres e de difícil acesso, como encostas íngremes, margem de lagoas, áreas de proteção ambiental ou de mananciais ou a montante destes, etc.

 

Desafios Energéticos

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Diante de um grande problema, devemos buscar grandes soluções, certo? Nem sempre, pois os grandes problemas podem ser a soma de pequenos problemas não resolvidos ou resolvidos de forma equivocada. Um exemplo disso é a necessidade de energia para promover o crescimento econômico e garantir a qualidade de vida das pessoas. Sabemos que a energia não brota da parede quando acionamos uma tecla ou tomada, mas vem de algum lugar da natureza. Sempre que há retomada no crescimento econômico existe a necessidade de mais uso de energia, então ressurge o fantasma do ‘apagão’ e do racionamento de energia. Nesse momento entram em campo os adeptos da energia nuclear que sempre querem mais e mais usinas, como se o lixo atômico que permanece ativo por 25 mil anos pelo menos e a impossibilidade de evacuar decentemente a população em casos da acidentes nucleares fossem riscos aceitáveis.

Opõe-se ao grupo dos pró-usinas nucleares os adeptos das grandes hidrelétricas, como a de Itaipú, na fronteira do Paraguai, ou a de Balbina, na Amazônia, por exemplo, que geram energia, mas a um custo sócio-ambiental tremendo. E não pensem que todo esse esforço de produção de energia é para melhorar o dia-a-dia do cidadão, como diz a propaganda, mas boa parte é desviada para indústrias altamente dependentes de energia.

Afinal, os críticos a estes modelo energético reclamam porque gostam de reclamar? Muito pelo contrário. Eles são a favor. A favor de programas de conservação de energia, que podem economizar até 20% da capacidade já implantada de geração de energia, o que, de cara, evitaria a construção de novas hidrelétricas, usinas nucleares ou termoelétricas insustentáveis e poluidoras por um bom tempo. Também são a favor de se adotarem outras soluções energéticas, que podem não resolver no caso de grandes indústrias e de grandes centros urbanos, mas são perfeitamente viáveis para pequenas comunidades, áreas rurais, ilhas etc, como, por exemplo, a energia produzida a partir da biomassa, da energia solar, da energia eólica, bem menos poluentes e impactantes ambientalmente, além de não ser preciso gastar com grandes linhas de transmissão e permitir sobra de energia nos sistemas tradicionais, permitindo atender ao crescimento dos grandes centros consumidores. Esses críticos também são a favor das mini usinas hidrelétricas que aproveitem melhor as quedas dágua, as calha dos rios, a força das correntezas, a força das marés, etc..

Ainda em relação ao uso da energia nuclear, continuo divergindo dos seus defensores por ser uma opção energética de alto risco ambiental pela dimensão dos impactos no caso de um hipotético, mas não improvável acidente, já que não existe risco zero. Mesmo sabendo que as usinas de Angra 1 e 2 não são nenhuma potencial Chernobil, por se tratar de tecnologia diferente que, mesmo no seu pior cenário, mesmo que alguém deliberadamente pretendesse provocar um acidente, jamais lançaria para o ar, por quilômetros, seu veneno radioativo. Claro que, se fôssemos aplicar esta mesma visão catastrófica, o risco do rompimento da barragem de uma hidrelétrica, apesar de hipótetico, mas não improvável, ou da explosão de um depósito de gás natural, como o do Gasômetro do Rio de Janeiro, também causariam danos seríssimos ao meio ambiente, à vida e ao patrimônio humanos.

Mas seriam danos imediatos, e não por sucessivas gerações, como no caso de um grave acidente nuclear que chegasse ao meio ambiente.

Entretanto, o fato de não concordar, não significa que os críticos tenham que recusar-se ao diálogo. Por outro lado, este diálogo não significa aceitação, mas coerência de cobrar do setor nuclear o mesmo rigor no trato da questão ambiental que se cobram das indústrias siderúrgicas, químicas, de transporte, etc. Afinal, as empresas que compõem o setor nuclear são indústrias e, como tal, devem prestar contas à sociedade da forma como tratam seus efluentes e resíduos, protegem a saúde dos trabalhadores, recuperam área degradas, monitoram o meio ambiente realizam uma política de comunicação transparente, assumem, postura de responsabilidade social e ambiental perante a sociedade, etc.

 

Emissão de Carbono Para a Atmosfera

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Ao término da Conferência das Nações Unidas Sobre Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, foram assinados os mais importantes acordos ambientais globais da história da humanidade, a saber, as Convenções do Clima e da Biodiversidade, a Agenda 21, a Declaração do Rio Para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, e a Declaração de Princípios Para Florestas.

A Convenção Climática, cujo objetivo principal, foi o de estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, foi ratificada pelo Congresso Nacional em 28 de fevereiro de 1994 e entrou em vigor para o Brasil em 29 de maio do mesmo ano. Embora os países em desenvolvimento não tenham o compromisso de reduzir suas emissões de gases, o Brasil tem formulado e contribuído com algumas idéias, como o uso do álcool como substituto do petróleo, além de outras medidas.

Segundo o documento "Balanço Energético do Estado do Rio de Janeiro", como exemplo, o Estado do Rio sofreu, entre 1980 e 1996, uma considerável alteração em sua estrutura de oferta e consumo de energia, o que provocou um aumento percentual das emissões de gás carbônico. As atividades que mais se destacaram, na emissão de carbono foram o desperdício de gás natural, queimado na Bacia de Campos, o setor industrial (29,7%), cujas maiores emissões estão na área da siderurgia, e o setor de transporte (32,0%).

O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) estabeleceu que, a partir de 1997, as emissões de veículos de passeio, por exemplo, não poderão ultrapassar o máximo de 2gr/km de monóxido de carbono. Se um veículo permanecer durante um ano inteiro dentro deste padrão de emissões - o que é cientificamente impossível, dada aos conhecidos problemas de padronização do combustível e a carbonização natural dos motores -, e considerando ainda que um veículo trafega em média 20 mil quilômetros por ano, temos que cada veículo emite cerca de 40 quilos de monóxido de Carbono ao ano. Multiplicado por cerca de 2,7 milhões de veículos só da frota do Estado do Rio de Janeiro, significa que os veículos são responsáveis pelo lançamento legal, autorizado pelo CONAMA, de 108 mil toneladas de monóxido de carbono por ano na atmosfera do Estado, sendo que mais de 80% deste total de emissões são realizadas na região Metropolitana do Estado, que concentra cerca de 80% da frota. Este número é na verdade muito maior, pois nas verificações feitas pela FEEMA, é comum que mais de 50% dos veículos estejam com motores desregulados, chegando a emitir 12 gr/km de monóxido de carbono.

Estudos da Coordenadoria de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe), da UFRJ, com base em levantamento feito pelo Greenpeace, mostra que em quatro áreas da Cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, o índice de dióxido de carbono já ultrapassou os limites da Organização Mundial de Saúde (OMS). Pesquisas do laboratório da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) relacionam a poluição atmosférica ao aumento da mortalidade de idosos e à morte de fetos a partir de seis meses de gestação, contaminados através do cordão umbilical e da corrente sangüínea da mãe que respira a poluição. “No sangue do cordão umbilical, já filtrado pela placenta, a presença de dióxido de carbono aumentava quando a concentraão desse poluente era maior na atmosfera”, constatou o médico Luiz Alberto Amador Pereira, pesquisador da USP. Os estudos da USP também indicam que, cada vez que a concentração de particulados aumenta cem microgramas por metro cúbico, a mortalidade de pessoas com mais de 65 anos cresce 13 %.

Em 1997, cerca de 40 acadêmicos e pesquisadores nacionais especialistas de muitas áreas, reunidos pela FBDS (Fundação Brasileira Para o Desenvolvimento Sustentável) com o Instituto de Estudos Avançados da USP, através da Academia Brasileira de Ciências, reforçaram o importante papel do reflorestamento na técnica de seqüestro de gás carbônico. O Projeto FLORAM (Florestas Para o Meio Ambiente), elaborado pelo IEA-USP, no final da década de 80, foi inovador neste sentido. Preconiza a retirada biogênica do gás carbônico em excesso na atmosfera por meio da fotossíntese das árvores.

Entretanto, ao contrário de estar plantando árvores ou preservando as florestas existentes, o Estado do Rio de Janeiro tem sido o campeão do desmatamento da mata atlântica, segundo medições por satélites feitas pelo INPE em convênio com as ONGs SOS Mata Atlântica e Instituto Sócioambiental. Em cinco anos, entre 1990 e 1995, o Estado do Rio perdeu 140.372 hectares de Mata Atlântica e em dois anos, entre 1995 e 1997, a perda em 40 municípios dos 91 do Estado, foi de 15.689, o equivalente a quase um campo de futebol de florestas por hora! A principal atividade depredadora das florestas nativas fluminenses, apontada pelo satélite, tem sido a prática de queimadas para ampliação ou limpeza de pastos ou como estratégia de produtores rurais empobrecidos de evitar a aquisição de adubos e fertilizantes para suas terras com baixa produtividade, recorrendo às queimadas como forma de ampliar áreas produtivas devido às cinzas da própria floresta queimada. Se tomarmos como parâmetro o modelo adotado na Costa Rica, onde para cada 1000 ha de florestas estima-se a absorção de 30.000 t C durante um período de 10 anos. Isso significa que as queimadas além de lançarem carbono na atmosfera, eliminaram, de 1990 a 1997, 156.061 hectares de florestas que antes retiravam da atmosfera, num período de 10 anos, cerca de 4,6 milhões de toneladas de carbono da atmosfera!

Acredita-se que a demanda por créditos de captação de carbono vá levar à criação de um valor real de mercado que lhes caracterizará como commodities transacionáveis, nos moldes do mercado de créditos de SO2 já existente nos EUA. Neste mercado ainda insipiente, o valor atual de 1 tonelada de carbono é em torno de US$ 10/ton C. De acordo com um estudo realizado pelo UNCTAD (UN Conference on Trade and Development), a demanda por créditos de captação de CO2 durante a próxima década será em torno de US$ 20 bilhões. No entanto, a ausência de mecanismos confiáveis e formal de registro e transferência de créditos de captação de carbono tem gerado incerteza e reduzido o nível de investimento em projetos florestais por parte de companhias do setor industrial interessadas em mitigar suas emissões.

Como forma de contribuir para ajudar na solução do problema, ofereci ao Deputado Estadual Carlos Minc (PT/RJ), um projeto de lei que, entre outras soluções, cria o Fundo Especial Para Combate ao Efeito Estufa - PROFLORAR, destinando recursos para, entre outros fins, o plantio de florestas de fins econômicos e ambientais e preservação das florestas nativas existentes, significando recursos fundamentais que faltam hoje para a efetiva implantação e proteção das Unidades de Conservação localizadas no Estado do Rio Janeiro e formação de contínuos florestais, estímulo à criação e implantação de RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), etc., como mais uma contribuição do povo fluminense para o esforço mundial de combate ao aquecimento global.

Além disso, uma vez implantado, o projeto irá testar e disseminar conhecimentos sobre seqüestro de carbono de floresta tropical para beneficiar pequenos produtores e proprietários de áreas degradadas em volta de remanescentes de mata atlântica, contribuindo para o desenvolvimento regional, a geração de emprego e renda, já que, para cada hectare plantado gera-se 4 (quatro) empregos diretos (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica), sendo, portanto, um projeto de amplo interesse sócio-ambiental. Se levar em conta a necessidade de se garantir o plantio anual de árvores apenas para o seqüestro de 108 mil toneladas de monóxido de carbono emitidas por ano pela frota de 2,7 milhões de veículos do Estado, haveria a necessidade se plantar em torno de 4 mil hectares anuais, durante 10 anos. Teríamos a geração de emprego, e a garantia de emprego durante 10 anos, em torno de 16 mil novos postos de trabalho.

Isso pode significar a diminuição da migração campo-cidade, tornando-se em mais um atrativo para a fixação do homem no campo, para o desenvolvimento do setor agrícola, combate às queimadas como técnica agrícola e pecuária, geração de emprego para engenheiros florestais e biólogos, geração de renda e valorização de propriedades rurais, entre outros benefícios.

 

Biodiversidade e Cidadania

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Para os 1.500 cientistas e especialistas que elaboraram o relatório Avaliação Global da Biodiversidade, divulgado pelo Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA), os seres humanos são a principal causa da perda crescente da biodiversidade mundial. Devido à mudança ou perda de habitats já ocorridas em todo o mundo, dezenas de milhares de espécies caminham para a extinção, sem possibilidade de qualquer ação preventiva. Segundo o relatório, mesmo que outras espécies ameaçadas não sejam extintas, muitas delas irão perder populações ou sofrer graves perdas do seu potencial de variabilidade genética devido ao colapso ou à perda de habitats. Desde 1700, as terras para agricultura cresceram cinco vezes, e desde 1800, as plantações irrigadas aumentaram 24 vezes. A Mata Atlântica, ecossistema que só existe no Brasil e detém a maior biodiversidade do planeta por hectare, foi reduzida a aproximadamente 8% de sua área original.

Ainda segundo o relatório, a diversidade biológica da Terra é composta, hoje, de 13 a 14 milhões de espécies, das quais apenas 1,7 milhão, ou 13% encontram-se descritas cientificamente. E, mesmo desse pequeno percentual, a maioria nunca teve sua situação completamente levantada. Apesar disso, estamos destruindo a biodiversidade do planeta a taxas aceleradas e sem precedentes. De 1810 até agora, o número de espécies de mamíferos e aves extintas - 112 no total - superou em quase três vezes o que se perdeu entre ao anos de 1600 e 1810 - 38 espécies.

O Brasil ocupa uma posição estratégica em termos mundiais devido à sua incomparável e rica biodiversidade. Se por um lado temos uma natureza exuberante, por outro carecemos de investimentos em pesquisa e na formação de mão-de-obra e estruturas que permitam o adequado aproveitamento e até mesmo a compreensão desta riqueza, o que nos tem conduzido a um tipo de garimpo muito mais predatório que o do ouro ou qualquer outro metal. O garimpo genético. Sem uma base legal adequada, o Brasil tem permitido que o saber dos índios e populações tradicionais sobre a biodiversidade seja apropriado por terceiros, sem que estes povos ou o próprio país receba uma contrapartida pelo uso dessa biodiversidade. O correto é que o conhecimento destes povos fosse respeitado e remunerado adequadamente e que as comunidades participassem conjuntamente dos projetos de pesquisa. Existe, hoje, no mundo, uma verdadeira guerra silenciosa dos países ricos, que detém a tecnologia contra os países pobres ou em desenvolvimento, que detém a biodiversidade. Durante a RIO 92 esse conflito ficou bem claro e os EUA simplesmente recusaram-se a assinar o tratado da Biodiversidade, enquanto não se reconhecesse sua propriedade sobre o conhecimento genético que possui de plantas e animais de outros países que, desnecessário dizer, foram retirados desses países sem seu consentimento, sem qualquer remuneração sobre as espécies ou sobre o saber dos povos tradicionais. A biodiversidade ficou assim reduzida à condição de armazém de fragmentos genéticos, transformados pelos laboratórios em mercadorias comercializáveis. Mais que a simples apropriação de uma espécie de planta ou bicho, é a apropriação privada da vida, que assume um valor monetário.

Talvez o mais difícil seja compreender que nossa espécie não é a dona do planeta, não pode fazer com a natureza o que quiser. Por mais especial que nossa espécie possa parecer, ela não é mais importante que qualquer outra, já que, na natureza, tudo está interrelacionado, “o que fere a Terra, fere também os filhos da Terra”, como já afirmou o cacique Seatle, em 1855, antes de inventarem o termo ecologia. Não podemos usar e abusar do planeta, sem sofrer as conseqüências.

 

Água é Vida

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A superfície de nosso planeta é constituída por apenas 30% de terra firme. Os 70% restantes são de água. Olhando do espaço, nosso Planeta Terra mais parece um Planeta Água! Só que a maior parte dessa água, cerca de 97%, é salgada, indisponível, portanto, para beber. Os oceanos têm outras importantes funções em nossa vida. Por exemplo, ao contrário do que muitos possam imaginar, não são as árvores que fornecem o oxigênio na quantidade suficiente para permitir a vida sobre o Planeta, mas as microscópicas algas do oceano.

Das águas que existem sobre o Planeta, apenas 3% são doces e somente 0,6% está disponível na superfície, como as águas dos rios e lagos! O restante está indisponível congelada nos pólos, ou na forma de vapor d’água na atmosfera, ou em lençóis subterrâneos.

Além de pouca, a água que está na superfície não é distribuída de forma igual no Planeta. O Brasil, por exemplo, possui a maior reserva de água doce superficial do mundo, cerca de 30% de toda a água disponível, mas ela está mais concentrada na Bacia Amazônica, longe portanto dos centros consumidores, como as regiões sul e sudeste. Na região nordeste, ao lado da Bacia Amazônica, as secas produzem desertos e provocam mortalidade entre as pessoas e os animais.

As águas doces superficiais de nossos rios e lagos são um dos tesouros mais preciosos para a vida no Planeta. Mas, o que estamos fazendo - ou deixando que façam - com esse tesouro? A mesma água doce que serve para abastecer as casas, as empresas, é usada também para diluir e receber esgotos domésticos e industriais sem tratamento!

E mais. A falta de florestas protetoras nas áreas de mananciais e nas bacias hidrográficas provoca danos enormes aos rios e lagos. Sem vegetação nos morros, as águas das chuvas, em vez de penetrarem no solo e irem alimentar os mananciais, correm rapidamente para os rios e daí para o mar, tornando-se novamente salgadas, além de carregarem junto os sedimentos que irão entupir os rios e os lagos, provocando enchentes nas cidades quando chove mais forte. As florestas agem como uma espécie de esponja que amortecem os pingos das chuvas fazendo com que penetrem no solo, indo alimentar os mananciais que abastecem os rios e lagos.

O que temos de fazer é muito simples: trabalhar com a natureza e não contra ela. São várias as medidas que podemos tomar no sentido de preservar nossos rios e lagos. Pode parecer uma tarefa enorme, e aí a tendência é acharmos que o mundo melhor que desejamos começa no outro ou depende dos governos e das empresas. Entretanto, o mundo melhor que queremos começa em nós, e os grandes problemas são formados de pequenos problemas que não foram solucionados quando eram pequenos. Uma forma de enfrentar um grande problema é ir solucionando aos poucos o que está em nosso alcance.

As pessoas podem, por exemplo, escolher um dia da semana ou do mês para promover um mutirão voluntário de limpeza de um rio ou lago, plantarem mudas de árvores nativas nas margens e áreas de mananciais, podem formar grupos de vigilância dos céus acompanhando os balões para impedir que provoquem incêndios florestais em encostas, podem ajudar no monitoramento e na denúncia de poluição em rios e lagos, etc. Se fomos capazes de interferir na natureza para piorar as coisas, também somos capazes de medidas concretas para ajudar o meio ambiente, pois o planeta seguramente conseguirá sobreviver sem nós, talvez um pouco mais feio e arranhado, mas nós, seguramente, não sobreviveremos sem o planeta.
 

Business do Bem



Educação Ambiental
Entrevista com Vilmar Berna
(Págs. 32 a 39) –
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