Vilmar Berna

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‘Não se Faz Omeletes Sem Quebrar Ovos’

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Quantas vezes a sociedade teve de engolir em seco diante de poluidores que usam essa frase, justificando as agressões ambientais que produziram para gerar empregos, impostos, moradias, etc., como se a única maneira de gerar progresso e desenvolvimento fosse a destruição do meio ambiente da maneira em que foi feita. Nada mais falso.

Que a ‘casca do ovo precisa ser quebrada’, não resta a menor dúvida, pois não pretendemos um planeta apenas para as plantas e bichos, e é a natureza quem fornece os recursos que precisamos para atender às nossas necessidades materiais. Mas se a natureza precisa ser explorada, isso deve ser feito com todo o cuidado, levando sempre em consideração, antes de tudo, uma reflexão sobre a real necessidade da atividade, se não existem outras alternativas que dispensem a necessidade da obra ou atividade impactante, e, uma vez concluindo-se que não existe outro jeito, deve-se tomar todas as providências para que o dano a ser causado tenha o menor impacto negativo possível adotando medidas mitigadoras que reduzam esse impacto, medidas reparadoras que promovam a recuperação do meio ambiente e medidas compensatórias que compensem a natureza quanto aos danos que forem impossíveis de evitar ou remediar.

As decisões sobre um novo empreendimento causador de impacto ao meio ambiente não interessam apenas a uns poucos, pois afetam os direitos de todos, já que o Planeta, o meio ambiente, é patrimônio de todos e não de alguns indivíduos ou grupos. Assim, as decisões que afetem o uso de um bem comum, como o meio ambiente, devem ser cercadas de todos os cuidados, inclusive o de ouvir a sociedade através de audiências públicas e de democratizar as informações sobre o novo empreendimento. Ao Poder Público cabe conduzir este processo e exigir que ele seja transparente, democrático e ético, onde os interesses de alguns indivíduos ou grupos não se sobreponham aos interesses de toda a sociedade.

O ‘preparo dos ovos’ também exigem cuidados especiais. Hoje, existem tecnologias que conseguem o mesmo e até melhor resultado que as tecnologias poluidoras, sem custar muito mais por isso. Muito pelo contrário, pois a poluição é desperdício do processo produtivo. O uso de tecnologias que não produzam resíduos e poluição, significa o fim de desperdícios e, portanto, o aumento nos lucros, alm de livrar os empreendedores de multas. E, um programa de educação ambiental para funcionários, acoplado a um programa de incentivos à produtividade limpa e a criatividade na busca de solução aos problemas ambientais da empresa podem fazer verdadeiros milagres dentro de qualquer negócio!

E quem irá avisar que o ‘ovo’ está pronto? Sem uma política de comunicação adequada, a empresa gasta às vezes verdadeiras fortunas para adotar procedimentos ambientais adequados e controlar ou eliminar sua poluição, mas se não avisa a ninguém, como quer que as pessoas descubram? Ás vezes até avisa, mas da forma errada, para o público errado. Depois reclama quando os ambientalistas, jornalistas, lideranças comunitárias, parlamentares continuam acusando a empresa de poluidora. Eles foram informados do contrário? A empresa divulgou seus investimentos nos veículos especializados em meio ambiente destinado ao público formador de opinião ambientalista? Ou sua agência de publicidade ou o departamento de comunicação da empresa preferiu gastar uma fortuna com anúncio em veículos da Grande Mídia, que estão longe de atingir o público que interessa?

Concluído o preparo ‘do ovo’, não adianta deixar a cozinha toda suja e desarrumada. Coletar, tratar, reciclar, transportar e dar um destino adequado aos resíduos é hoje uma necessidade imperiosa das empresas. Sejam seus resíduos líquidos, gasosos ou sólidos. Mas melhor mesmo que ter de limpar tudo após o final do trabalho é adotar procedimentos e tecnologias menos poluentes durante o processo de produção, para não ter de gastar uma fortuna no final do processo.

E quem vai comer o ‘ovo’? Quem preparou vai poder comer também? A questão ambiental se interliga com as questões econômica, social, a cultura da paz, pois a natureza vem sendo destruída há muito tempo e o meio ambiente cada vez mais poluído, ‘quebra-se muitos ovos’, sem que a humanidade tenha se beneficiado de tanta destruição ambiental. Muito da riqueza acumulada com o saque sobre o planeta não foi empregado no atendimento às necessidades materiais humanas, na superação da miséria, da fome, mas serviram para concentrar ainda mais a renda, produzir armar e guerras, privatizar o meio ambiente que deveria ser patrimônio de toda a humanidade, um bem comum de todos, e não um privilégio de uns poucos, daí a dimensão ética da questão ambiental, que ainda precisa ser levada em conta antes de se continuar permitindo que se ‘quebrem ovos e mais ovos’ a pretexto de se fazer mais e mais ‘omeletes’, que poucos irão consumir.

 

Business do Bem



Educação Ambiental
Entrevista com Vilmar Berna
(Págs. 32 a 39) –
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