Vilmar Berna

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O que mais podemos querer?

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"Há pessoas que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido" (Confúcio).

A vida, em geral, nos dá muito mais do que pedimos, ou sonhamos. E mesmo quando ela nos faz sofrer, oferece-nos a oportunidade de crescer e amadurecer e nos dá a percepção otimista do quanto vale a pena viver intensamente cada minuto e nos faz aceitar com generosidade nossas cicatrizes, pois assim como as carregamos no corpo físico - e isso não nos impede de viver e ser felizes -, o mesmo ocorre com as cicatrizes que carregamos na alma. Nossa tarefa principal é, quando sentirmos aquela tristeza sem causa aparente, procurar descobrir estas cicatrizes e os sentimentos que elas provocam e não deixar que nos façam sofrer ainda mais do que os fatos que as geraram já fizeram. Nossas cicatrizes nos tornam pessoas únicas, e muitas vezes nos tornam também pessoas melhores, ou que aprenderam a tirar da dor a inspiração para a arte, por exemplo.

O que mais podemos querer? Muitas vezes temos bem a nossa mão tudo o que precisamos para ser felizes, mas, insatisfeitos, sempre estamos à busca de mais alguma coisa que falta. Pessoalmente, preciso de muito pouco. Ficaria feliz e plenamente satisfeito se pudesse ler e escrever mais, comer bem, aprender definitivamente a dançar, concluir meu curso de mergulho, dormir as horas necessárias, amar e ser amado de forma completa, generosa e sem ansiedades, gozar de boa saúde física, mental e emocional, viver em maior contato com a natureza e em sintonia com a minha religiosidade.

O que mais podemos querer? Não somos uma ilha. Nossos desejos devem ser generosos e incluir os que ainda dependem de nós, mas na medida de nossas forças e possibilidades. Devemos nos esforçar sinceramente para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, e não tudo o que preciso ser feito, pois devemos ter a humildade de reconhecer que existem problemas que foram criados por sucessivas gerações ou por milhares de pessoas, e não será uma pessoa, por mais bem intencionada que esteja, que conseguirá assumir para si ou seu pequeno grupo, sozinha, as dores do mundo. Muito menos devemos assumir para nós, mesmo que o consigamos suportar, os fardos de outras pessoas, especialmente das que nos são próximas, pois cada um deve ser capaz de assumir os riscos e os perigos dessa vida, responsabilizando-se pelos seus atos, caso contrário só irá gerar mais sofrimento inútil e não irá adquirir o necessário aprendizado moral que forja os bons seres humanos.

O que mais podemos querer? Um mundo melhor, onde a idéia de não-violência seja mais que uma promessa, mas uma possibilidade concreta. E que não seja apenas uma idéia bem aceita para os que admiramos ou conseguimos tolerar, mas inclua também – e principalmente – os que nos são indiferentes, e mais os nossos inimigos e adversários. Por mais ingênuo e arriscado que seja, e efetivamente é, é preferível viver num mundo em que - coletivamente - acreditamos que todos são bons, generosos, honestos até que – individualmente – nos provem do contrário e nos obriguem a nos defender e tomar providências.

E que a idéia de não-violência seja mais ampla, e inclua os que não são semelhantes, os animais e o próprio planeta.

E que esses novos compromissos sejam mais que palavras, e se confirmem em atos concretos.
 

Business do Bem



Educação Ambiental
Entrevista com Vilmar Berna
(Págs. 32 a 39) –
Versão PDF

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